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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Alianças



Algumas histórias são sobre amor. Outras são sobre seus sogros te chantageando com comida boa, viagens e grana, com que a filha dava presentes idiotas, e te forçando a colocar um maldito anel no dedo dela sendo que você jamais teve planos de se casar com a moça nem nada do tipo. E nem dava a mínima pra porcaria do anel, chegando ao ponto de, no desespero, tacar ambas alianças no meio da rua na tentativa de fazer ela entender que você não a queria mais na sua vida, rezar pra se perderem pra sempre e ela, desesperada, correr chorando e pedindo ajuda pra procurar elas no chão.

O churrasco pra me apresentar

A família dela adorava festas de família. O aniversário do irmão de M. Rocha foi um churrasco com tudo do bom e do melhor; a carne do churrasco foi a melhor possível. Era a primeira festa de família que eu estava com ela e eles usaram essa festa de pretesto pra me apresentar pra família, mas eu nem sabia que teria tanta gente lá. Era a apresentação dos personagens pra começar aquela temporada. Naquela época, as coisas ainda estavam tranquilas, mas estávamos juntos só a cerca de três meses. Eu acabei sendo algo como a taça, o prêmio. Queriam me introduzir à família de qualquer jeito. Eu não me senti nada à vontade, apesar dos esforços de todos. 

O quarto dela: casa de bonecas

As coisas eram quase todas rosa. As paredes, os detalhes, em cores de quarto de menina de 10 anos; a cama, pequena. Eu no quarto dela, como numa casa de bonecas, no maior amasso lá dentro, e ela não sendo uma menina de 10 anos. E eu pensei: eu não sou o Ken da Barbie. Nem um príncipe encantado dos desenhos da Disney. O que eu to fazendo aqui?? O mais bizarro era que ela não era uma criança; longe disso. Era uma jovem tentando se passar por uma criança. Pior ainda, M. Rocha nem tinha autorização dos pais para eu estar lá. E eu, metido em uma das primeiras das muitas mentiras.